sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Episódio 5 - Tecnologia, Conhecimento e Ancestralidade


Hoje um vizinho veio me pedir ajuda para resolver um problema em sua tomada no seu apartamento. Ele chegou dizendo: 

"Sou desses meninos criados pela avô mano, não sei fazer essas coisas, você é físico, tem um monte de ferramentinhas ae, faça sua magia!"

Moramos em um desses prédios antigos, sem elevador, sem garagem, sem síndico, mas com muita fiação elétrica antiga e gente boa que se ajuda. Fiquei pensando em que momento da nossa história humana fomos perdendo a cultura de fuçar e fazer nossos "gatos técnicos" para solução de problemas manuais do cotidiano. Afinal, deveria fazer parte da nossa ancestralidade brasileira montar arapucas mirabolantes como os índios, costurar lindas rendas como as antigas baianas ou construir belíssimos tambores africanos com couro. Conheci um cara que conseguia fazer um Fusca com motor parado funcionar com um pedaço de lápis. Como dizem por aí "o brasileiro precisa ser estudo pela NASA!", não é essa a fama que levamos devido a nossa arte no improviso? 
Quê diabos estamos criando com as nossas mãos além de digitar?

No almoço perguntei pra minha esposa se algum de nossos familiares com mais voltas ao redor do Sol tinham criado alguma invenção à brasileira ou tinham dotes para trabalhos manuais. Ela me contou que a sua avó tinha problema nas pernas e precisava movimentar os seus joelhos constantemente. Para não ter que ficar caminhando o dia todo a Dona Maria preencheu 2 latas de tinta cilíndricas com cimento e colocou uma pracha em cima e pronto! ficava sentada O-DIA-TODO praticando o famigerado balance board , eita velhinha danada!





(observação: hoje em dia um desses custa de R$ 260 a R$300,00 cada)
    







O meu pai e minha mãe nasceram no interior da Bahia e apesar de não ter nenhuma lembrança de invenções mirabolantes da parte deles tenho orgulho de dizer que minha mãe era uma costureira de "MÃO CHEIA". Claro que, se perguntasse pra minha mãe se ela já teria inventado alguma tecnologia ou criado alguma invenção na vida a resposta seria um imediato NÃO. Talvez pela sua simplicidade de mulher semianalfabeta não se sentisse com competência técnica para tal. 

A fotografia acima foi tirada na exposição LEONARDO DA VINCI – 500 ANOS DE UM GÊNIO, que por sinal é muito boa mesmo, e nosso amigo Leonardo é realmente espetacular. Porém, a primeira ideia que me veio a mente quando eu vi o vestido foi: 
"Minha mãe fazia umas camisas bem mais bonita Léo, foi mal ae!" 
A parte o anacronismo cometido com os padrões de vestimenta do alfaiate Da Vinci comparado com as roupas produzidas pela minha mãe, trago tal reflexão devido ao sentimento de diminuição que muitos de nós temos diante de nossas produções manuais. É comum ouvir nas aulas de tecnologias pessoas afirmarem, até com um certo orgulho, que são totalmente ignorante em tecnologia, matemática, física ou qualquer outra ciência que demande traquejo técnico sofisticado. Enchemos a boca pra dizer que jamais teremos capacidade de realizar determinado tipo de atividade, reproduzimos falas que fortalecem a ideia de que nunca teremos aptidão suficiente pra realizar grandes obras, inventar novas tecnologias ou descobrir novos conhecimentos científicos. Somos pessoas normais não é mesmo? Esse tipo de destaque é identificado apenas nos gênios, tais como: LeonardoDonatello, Raphael e Michelangelo que receberam até mesmo a honraria de serem representados na história, como tartarugas ninjas 😀:
deixo como exercício a pesquisa sobre quem é quem

De onde será quem vem esse sentimento? Por que nos percebemos tão inferiores diante de obras que deveriam edificar os feitos de nossa espécie? Quanto desse tipo de sensação nos priva de tentar, de arriscar realizar invenções fantásticas? 

Foi pensando nessas questões que fui investigar porque minha mãe negra sem diploma escolar nunca fez transparecer que sentia orgulho de suas obras manuais de costura ou jardinagem. Ela não se via como cientista ao fazer cruzar duas espécies de plantas diferentes no mesmo vaso ou identificar com facilidade todo tipo de vegetação e saber o que era bom pra fazer os seus chás. Adiantando a seguir um resuminho do que eu descobri com a minha ligeira pesquisa para a composição desse texto em 4 tópicos centrais:

1) nossos ancestrais negros africanos descobriram e inventaram muita tecnologia, antecipando ideias e criando utensílios que faziam uso de conceitos sofisticados que na linguagem contemporânea podemos classificar como eletromagnetismo, hidráulica, mecânica e pneumática. Vamos aprofundar essas ideias conhecendo um pouco sobre o trabalho dos negros sabidos: Fábio KabralKarolina DesireéCarlos Eduardo Dias Machado e  Nur Ankh Amen (esse último não sei bem se é negro, mas que é sabido é, pois seu livro é bem interessante).

2) o sentimento que temos de que não inventarmos tecnologia geniais com facilidade tem relação com a própria concepção que fazemos de tecnologia e como os produtos tecnológicos são utilizados e integrados aos afazeres humanos ao longo da história. Tal ideia será melhor explorada por Marshall McLuhan que afirma "as tecnologias se tornam invisíveis à medida que se tornam familiares."

3) A construção ideológica das raças e a hierarquização imposta pelos brancos europeus somada a suposta incapacidade intelectual dos negros africanos depreciaram as realizações africanas no campo da ciência, tecnologia e inovação ao longo de anos. Conforme afirma Machado "Muitas tecnologias de origem africana ficaram ocultas devido a construção do sistema de privilégio branco numa ordem mundial capitalista que tem como pilares a escravidão, colonialismo, imperialismo e racismo na construção de privilégios e desigualdades". 

4) assim como o conceito de tecnologia outras ideias como virtualidade, cibercultura e afrofuturismo  demonstram possibilidades para modificar o processo de aprendizado do conhecimento no mundo contemporâneo. Estamos vivendo a quarta revolução e, em breve, chegaremos no ponto de ter acesso a um sistema semântico de metadados universal situado na nuvem, construído de maneira colaborativa e capaz de orientar o futuro da comunicação digital. Quem nos ajuda por aqui é Pierre Lévy, que acredita que a cibercultura coloca o ser humano diante de um gigantesco mar de conhecimento, em que é preciso escolher, selecionar e filtrar as informações. Somente compartilhando e gerando certo tipo de  "inteligência coletiva" seria possível organizar os conhecimentos em grupos e comunidades, onde a troca de ideias e o compartilhamento de interesses sejam possíveis.

Nos próximos encontros das aulas de "TIC Natureza",  pretendo desenvolver melhor essas 4 ideias  com vocês. Bora produzir novos conhecimentos juntos e rememorar a herança de nossos ancestrais. Até logo! 





quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Episódio 3: Conhecimento Didático e Conhecimento Pedagógico


Episódio 3: Conhecimento Didático e Conhecimento Pedagógico 


Neste episódio realizo a Leitura Analítica do artigo "Formação de Professores e Didática para Desenvolvimento Humano" de José Carlos Libaneo.


O que é o Conhecimento Didático? O que é conhecimento Pedagógico? Como integrar na formação profissional os dois tipos de conhecimento que estão dissociados e correndo em paralelo? Como articular o conhecimento pedagógico do conteúdo ao conhecimento dos conteúdos/processos investigativos da ciência ensinada?
Como professores podem aprender a introduzir transformações nos objetos de conhecimento de modo a suscitar motivos dos estudantes para a atividade de estudo?
Partindo dessas ideias, pretendo tornar evidente as características e diferenças dos conhecimentos didáticos e pedagógicos e refletir junto aos professores em formação inicial de que maneira tais conhecimentos podem ser integrados na elaboração de atividades para alunos do Ensino Médio.



Proposta de Trabalho com os alunos da Licenciatura

1) Tipo de atividade
Leitura e discussão de texto e Envio de Mensagem via Padlet 

2) Objetivo da oficina/aula

Ao final dessa aula, os professores participantes serão capazes de: 1. Descrever diferenças conceituais e metodollógicas sobre os conhecimentos didáticos e conhecimentos pedagógicos; 2. Identificar estratégias metodológicas para integração desses 2 conhecimentos em sua prática docente. Queremos que os professores participantes compreendam que:
a integração entre o conhecimento didático e o conhecimento pedagógico é fundamental para oportunizar um aprendizado profundo e significativo para os estudantes.
3) Evidências para efetividade dos objetivos na avaliação
Registro da discussão dos textos no Pdlet e gravação em vídeo da comunicação oral em grupos.

4) Como organizar os estudantes?

Organizar os estudantes em 6 Grupos de Trabalho.

5) Quais os materiais necessários?
Internet e  Disposição para Pesquisa.

6) Qual é a duração?
2 encontros de 2 horas cada

7) Encaminhamentos

1) Apresentar os slides sobre a pesquisa do professor José Carlos Libâneo (2015): Formação de Professores e Didática para Desenvolvimento Humano


2) Propor a discussão para solução da seguinte questão:

3) Dividir a turma em 6 grupos de trabalho e disponibilizar os seguintes excertos impressos para discussão:
  • Canadenses: Tardif e Gauthier (saberes da prática docente),
  • Brasileira: Pimenta (saberes docentes),
  • Franceses: Develay, Meirieu e Chevallard (didáticas disciplinares),
  • Espanhóis Ariza e Toscano (saberes do professor em sua relação com as dimensões da sua prática)
  • Norte-Americano Shulman (conceito de conhecimento pedagógico do conteúdo).
  • Russo Davydov - A Teoria do Ensino para o Desenvolvimento e a Integração entre Didática e Epistemologia das Disciplinas
4) Atribuir os seguintes papéis para cada integrante do grupo (gerenciar quantidade de alunos):

Facilitador: Garante que todos entendam a tarefa e todos tenham acesso aos materiais. é responsável por chamar os participantes para as questões do grupo.

Controladora do tempo: Combina a alocação do tempo com o grupo e acompanhe o tempo e alerte seu grupo;

Repórter: Lembra seu time para  que pensem de mais de uma maneira e Prepare-se para compartilhar o produto final do grupo.

Monitora de recursos: Identifica os materiais necessários, gerencia aplicativos e organiza apresentação.

Harmonizador: Presta atenção a como os membros do grupo estão interagindo no trabalho. Faz a mediação de desentendimentos e construa pontes. Reconhece publicamente as ideias e contribuições de cada participante.


5) Solicitar que cada grupo apresente um áudio, um texto e uma imagem no Padlet disponibilizado. O grupo deve apresentando como produto final qual é a compreensão sobre conhecimento didático e conhecimento pedagógico de cada autor.

6) Discutir os produtos registrados no Pdlet e explorar quais são as possíveis soluções para integraçção entre o conhecimento didático e o conhecimento pedagógico.


terça-feira, 15 de outubro de 2019

Episódio 2: Ensino por Investigação


Episódio 2: Ensino por Investigação 

Neste episódio realizo a Leitura Analítica do artigo "Fundamentos Teóricos e Metodológicos do Ensino por Investigação" de Anna Maria Pessoa de Carvalho.

Como o Ensino por Investigação foi instituído como estratégia metodológica nas aulas de Física?
O que é o LAPEF? O que é o LABEDU?
Quais são as estratégias utilizadas para o desenvolvimento de aulas investigativas? Que temáticas da física já foram aplicadas? Quais os resultados pragmáticos deste tipo de metodologia?

A gravação foi realiza com o suporte dos slides abaixo. A ideia é disponibilizar esse material com antecedência aos estudantes/professores, de modo que as atividades para o aprofundamento no tema em sala de aula seja mais eficiente.






Proposta de Trabalho com os alunos da Licenciatura


Tipo de atividade
Criação/Edição de um tópico na Wikipédia
Objetivo da oficina/aula

Ao final dessa aula, os professores participantes serão capazes de: 

1. organizar metodologias para o aprendizado de física que

possibilitem condições em sua sala de aula para os alunos:

• pensarem, levando em conta a estrutura do conhecimento;

• falarem, evidenciando seus argumentos e conhecimentos construídos;

• lerem, entendendo criticamente o conteúdo lido;

• escreverem, mostrando autoria e clareza nas ideias expostas.



2. Realizar revisão sistemática em periódicos na área do Ensino de Ciências;

3. Editar textos na plataforma Wikipédia.



Queremos que os professores participantes compreendam que:

O ensino por investigação constitui uma abordagem que promove o
questionamento, o planejamento, a escolha de evidências, as explicações
com bases nas evidências e a comunicação. Ensinar por investigação
significa fazer um movimento de aproximar os conhecimentos científicos
dos conhecimentos escolares.



Evidências para efetividade dos objetivos na avaliação
  1. Identificação das características das SEI
  2. Registro da problematização sobre a metodologia
  3. Edição na Wikipedia sobre SEI
Como organizar os estudantes?
Grupos de 4 a 5 pessoas para produção de atividades em 3 encontros.
Quais os materiais necessários?
Internet, Cartazes e Disposição para Pesquisa.
Qual é a duração?
3 encontros de 2 horas
Encaminhamentos
Encontro 1

1. Escolha 3 artigos sobre Sequências de Ensino por Investigação (SEI) em 4 periódicos da área do Ensino de Ciências  (Ciência & Educação (C&E); Caderno Brasileiro de Ensino de Física (CBEF); Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (RBPEC) e Enseñanza de las Ciências (Enz)
Os alunos (grupos de 4 ou 5 pessoas) precisam acessar pelo menos um periódico e selecionar três artigos que apresentam uma explicação sobre a SEI como estratégia metodológica. Após comparar os três artigos por meio da leitura do resumo o grupo deve confeccionar um cartaz apresentando o nome dos autores, uma síntese do resumo e a compreensão sobre o uso SEI em sala de aula.

2. Problematização: Após a apresentação de cada cartaz a turma deve estabelecer questões para o direcionamento da leitura de um único artigo sobre SEI. O artigo que, no consenso do grupo, possuir maior condições para responder as questões levantadas pela turma será o escolhido.

Encontro 2
3. Realização da leitura: cada grupo ficará responsável pela apresentação de uma unidade de leitura do artigo, tomando como base os critérios da leitura analítica.

4. Análise do texto: discussão as unidades de leitura estudas por cada grupo e eleição dos tópicos a serem redigidos para o texto do Wikipedia.

Encontro 3
5. Conclusão: Edição de um tópico na Wikipédia sobre Ensino por Investigação.











sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Episódio 1: Lendo Richard Feynman decentemente


Episódio 1: Lendo Richard Feynman decentemente   


Desde 2010 tenho publicado neste blog alguns textos e atividades sobre minhas práticas docentes em Física, realizadas em diferentes escolas públicas e particulares que oferecem Ensino fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior. Decidi neste ano de 2019 mudar um pouco esse formato. Neste momento, tenho interesse em organizar e divulgar nesse espaço virtual o processo de planejamento e avaliação do que, por enquanto, vou chamar “práticas de aprendizado em ciências”.Digo isso dessa maneira pois ainda não fiz uma revisão sistemática sobre esse termo e tenho a intuição de que essa ideia não é nova. A ideia que gostaria de trazer aqui se assemelha a compreensão de aprendizagem proposta pela professor Paloma Chaves no texto “Matética: A Arte de Aprender”. Ao invés de estudar com profundidade novas formas de Ensinar Física eu gostaria de passar a investigar novas formas que os alunos Aprendem Física.
Acredito que o real aprendizado ocorre mesmo é no chão de sala de maneira bastante pontual e em momentos sutis de uma aula. Os segredos para a produção desse aprendizado estão escondidos no processo de reflexão-ação-reflexão do fazer pedagógico. É a famosa práxis docente que geralmente ocorre nas madrugadas dos dedicados professores que desbravam noites a fio corrigindo atividades; refletindo sobre o que deu certo ou deu errado; preparando novas ações tomando como respaldo características comportamentais dos seus alunos; questões surgidas durante uma atividade ou eventos de cunho sócio-emocional que muitas vezes não tinha a menor relação com  o conteúdo de sua aula, mas que atingem o aprendizado de maneira indireta.  
Meu desejo com as próximas postagens é tornar público o desenvolvimento dessa práxis. Pretendo apresentar aqui, com certa regularidade, o planejamento de oficinas/aulas direcionadas à professores de ciências que tenham interesse em pôr em prática novas metodologias em sala de aula. Quero fazer aquilo que sempre quis e nunca tive tempo, pois  estava justamente dando conta de todas essas demandas que envolve dar conta de 30 ou até 50 aulas semanais e a preocupação com o aprendizado de Física de mais de 200 jovens e adolescentes. Para começar bem, eu escolhi um cara que eu já considero meu amigo a tempos, Richard Feynman, não poderia ser outro.
Nesta primeira postagem rumo às Novas Práticas para o Aprendizado de Física, conto-lhes como costumo trabalhar com grandes personalidades da ciência em sala de aula. A metodologia que apresento aqui já utilizo no Ensino Superior a 2 anos e costuma funcionar bem.No Ensino Médio e Fundamental utilizo uma dinâmica um pouco diferente que posso apresentar em outro texto.

Para sintetizar a coisa toda, vou botar aqui embaixo um quadro com o plano de aula e o encaminhamento das atividades, na sequência eu apresento em um podcast todas as orientações para a realização da Leitura Analítica:

Tipo de atividade
Leitura Analítica e criação de podcast
Objetivo da oficina/aula
  1. Compreender que a leitura é um processo que envolve diferentes etapas;
  2. Conhecer e dominar algumas técnica da leitura analítica com vistas à apreensão/recepção da mensagem contida em um texto escrito.

  1. Gravar um podcast utilizando os dados da leitura analítica.
Evidências para efetividade dos objetivos na avaliação
  • Para avaliação dos objetivos 1 e 2 será analisado o fichamento de uma unidade de leitura com o mínimo 30 parágrafos, redigido à mão no seguinte formato:

  • Para o objetivo 3 a evidência será a entrega do podcast, tomando como avaliação qualidade de produção de áudio, criatividade e dinâmicas para a divulgação (5,0 pontos).

Como organizar os estudantes?
Cada estudante irá escolher uma unidade de leitura "apaixonante" sobre ciências. Pode ser um livro, revista ou artigo de divulgação científica. Não é preciso realizar a leitura analítica de todo material, basta selecionar um capítulo ou sessão da preferência do estudante. Costumo levar os alunos para uma biblioteca e indicar algumas obras. Também conto sobre algum livro que me marcou e explico que a ideia é elevar a reprodução daquela obra em outra mídia ( no caso, podcast). Seria quase como um homenagem ao produtor da obra prima, entendeu?
Quais os materiais necessários?
  • Livros de Divulgação Científica diversos, boto alguns de Ficção Científica também, por que não?
  • Boa vontade e REAL interesse no aprofundamento da leitura;
  • Gravador de voz (pode ser o Smartphone mesmo, porém existem ótimos tutoriais para melhorar a captação);
  •   Audacity (Editor de áudio muito bom para colocar algumas musiquinhas de fundo. Escolhi a trilha sonora no jogo Zelda.) 
Qual é a duração?
Eu demorei 4 horas e 36 minutos livres, para a realização de todo processo: leitura, fichamento, gravação e edição). Distribuí horas essas ao longo de 3 dias. Porém, pensando nos alunos do ensino superior eu considero o tempo de 6 a 8 semanas suficiente para a produção. 
Encaminhamentos
Em sala de aula (presencial)
1) Apresentação da proposta e seleção dos textos;
2) realizar uma análise em grupo do "Podcast Modelo" afim de estabelecer critérios mínimos para Leitura Analítica;
3) Exercício de como realizar a Leitura Analítica com um texto curto;
4) Exercício de Gravação de um texto curto com Smartphone; 
5) Orientação sobre a produção do roteiro e edições no Audacity para adição de trilha sonora e tratamento da gravação realizada com Smartphone.
6) indicar alguns tutoriais e soltar os alunos no mundo. (Uma dica muito boa é exigir que os alunos façam algo diferente  do que você já fez. A presente descrição pode parecer muito estruturalista e organizada como uma fórmula de bolo, mas na prática, acaba sendo bem mais caótica do que o descrito aqui. Minha escrita é uma fotografia do processo). 
7) Compartilhamento das produções

Fora da sala de aula
Cada item descrito acima corresponde a um encontro semanal presencial de 90 min. Em um mundo ideal, os alunos escolhem o texto no máximo até a semana 2 e daí em diante já iniciam o processo de leitura e fichamento  para que na semana 5 ele receba orientações para o roteiro e edição de som. Como nem tudo são flores no mundo da educação, na semana 5 costumo exigir como obrigatório a entrega do fichamento e acabo organizando em grupo o roteiro neste dia. A semana seguinte reservo para que os alunos adiantem a finalização do podcast. Por fim, na 7 semana ouvimos (trechos dos podcasts em grupos e discutimos.)








MATERIAIS IMPRESSOS FORNECIDOS PARA OS ESTUDANTES/PROFESSORES


A Leitura de textos como Processo
(roteiro do meu Podcast)

1. Unidade de Leitura:

Part 1  From Far Rockaway to MIT 

Cap. 1 - He Fixes Radios by Thinking!


2.Livros de referência:

  1. Primeira edição em inglês: “"Surely You're Joking, Mr. Feynman!"” 
Editora A Bantam Book- 1985

  1. Primeira Edição em língua  portuguesa de 1988 - Editora Gradativa. Este livro está disponível na Biblioteca pública Biblioteca Sérgio Milliet, no centro Cultural Vergueiro. Foi exatamente este o exemplar que li pela primeira vez. Depois de passar o dia todo estudando para uma prova de cálculo, ainda na licenciatura, fui dar uma sapeada na sessão de ciências e dei de cara  com essa capa marota. Mesmo depois de um ano estudando Física nunca sequer ouvido falar do nome Richard Feynman. Me chamou atenção por conta da caricatura, tirando a famosa foto de Einstein mostrando a língua nunca tinha visto o retrato de um físico brincalhão, não pensei duas vezes em alugar.   


3. Sinopse do episódio
Richard Feynman nasceu em 1918 em Far Rockaway nos arredores de Nova Iorque. 
Ele lançou o livro acima no ano em que nasci, em 1985, muito antes de eu ter aprendido a falar. 
Na unidade de leitura escolhida o velho Feynman (com 67 anos) conta em 60 parágrafos como o jovem Richard aprendeu a consertar rádios aos 12 anos de idade, com pouquíssimos recursos, bastante criatividade e muita traquinagem científica de primeira qualidade. 

A história se passa no período da Grande Depressão em 1930 e tenho várias identificações com relato do autor. Me interessei por Física dentro de uma oficina de eletrônica na periferia da zona leste (arredores de São Miguel Paulista, quase igual a cidade de Nova Iorque kkk). Nesta época, eu também tinha 12 anos de idade, mas longe da genialidade do nosso protagonista eu não tinha a menor ideia do que fazer quando a TV de casa queimou e não tínhamos grana para o concerto. Qual foi a solução dada por meu pai? -  Oferecer os serviços caudatários do filho caçula para custear a manutenção - lavar banheiro, tirar pó, varrer, limpar equipamentos, essas coisas. “Quem sabe você não aprende alguma coisa por lá!?” - disse meu sábio pai analfabeto - foi aí que conheci os resistores, capacitores e transformadores. Três anos depois, estava eu no curso técnico e depois na licenciatura em Física. Resumindo: demorei mais de 8 anos para fazer e entender o que Feynman fazia e entendia com 12 aninhos de idade sem nenhum equipamento profissional kkk.  
Falando em idade, no ano de 2018 Feynman completaria 100 anos e meu blog sobre experimentos de Física nas escolas completou 10 anos. Percebi que Iniciar o meu primeiro podcast sobre o aprendizado de Física poderia ser uma singela homenagem à este grande professor. E como não poderia deixar de acontecer no FIZencadeando, o presente empreendimento também faz parte de uma atividade que pretendo realizar com os meus alunos. Afinal, este é o ideal deste blog: fazer coisas em sala de aula encadeando leituras sobre a Física de outros loucos por essa ciência maravilhosa.



5. Fichamento da leitura: “Ele conserta rádio com o pensamento!”
Parágrafos
Minha leitura sobre o que autor quis dizer
1
conta sobre como construiu um laboratório de ciências com um caixote aos 12 anos de idade.
2
explica como fazia para caixa reluzir organizando um circuito em série dentro dela.
3
explica como ele mesmo criou até o fusível do sistema e um controle de baterias.
4
relata que adorava rádio e dormia com fones escutando até pegar no sono.
5
relata como construiu um alarme contra ladrões em seu quarto utilizando motores elétricos..
6
explica que seus pais tomaram um susto com o alarme criado.
7
explica em detalhes como funcionava sua bobina Ford.
8
conta como quase incendiou  o seu quarto com a bobina Ford.
9
explica com tentou controlar o fogo.
10
detalha mais sobre o incêndio e alerta como era perigoso mexer com tudo aquilo.
11
explica como despistou sua mãe para que ela não percebesse o incêndio.
12
conta como construiu um amplificador e relata que faria muitas outras coisas se sua mãe não o mandasse ir brincar fora da casa.
13
relata que comprava rádios sucata eletrônica em bazares para construir rádios.
14
comenta que a sua família ia até seu quarto para ouvir novelas no rádio que ele construiu.
15
detalha mais sobre como outras pessoas se organizavam para ouvir no seu rádio, equipamento que nem todos do bairro possuíam.
16
relato sobre o programa Clube do Crime Eno, emitido na rádio Schenectady. 
17
explica como tinha muita sucata disponível em casa para suas invenções.
18
conta como conseguiu descobrir que seu alto falante poderia ser transformado em um microfone sem nenhuma bateria.
19
Comenta que não sabia na época, mas o seu modelo de microfone funcionava semelhante ao primeiro telefone inventado patenteado por Graham Bell.
20
Conta como o microfone que construiu ajudou  a distribuir o som do rádio pela casa e como arquitetou uma traquinagem com a sua irmã mais nova Joan envolvendo um programa de rádio chamado Tio Don
21
relata que colocou a irmã pequena para ouvir o rádio no primeiro andar e subiu para o segundo andar com o primo Francis para fingir ser o narrador do programa. 
22
relata como tentou enganar a irmão com o microfone.
23
explica que cantaram musiquinhas e tudo para convencer, mas não teve tanto sucesso como esperava.
24
explica que dia recebeu um telefone.
25
comenta que era um rapaz solicitando um conserto de rádio.
26
declara que ficou assustado pois nessa época só tinha 12 anos de idade.
27
explica que o sujeito solicitou sua presença em um hotel.
28
Feynman tenta argumentar dizendo que era apenas uma criança.
29
explica que o hotel era da sua tia e que ele levou uma imensa chave de parafusos para a manutenção.
30
explica como consertou o rádio limando o reostato de volume rádio
31
comenta como construiu um voltímetro determinando a resistência elétrica pelo comprimento dos fios.
32
comenta que a busca de consertos enquanto ela ainda era uma criança se devia ao fato de todos estarem vivenciando os efeitos da Grande Depressão de 1930.
33
recebe um convite para um conserto misterioso de um rádio barulhento.
34
conversa com o sujeito que tem o rádio quebrado e se diz  muito pobre.
35
reclama das exigências do “freguês”.
36
relata como o sujeito desacredita de suas habilidades com manutenção de rádio por ser apenas uma criança de 12 anos.
37
comenta sobre a conversa enfadonha que o sujeito tem com ele até chegar ao local onde está o rádio.
38
explica que ao ter contato com o rádio o barulho emitido era realmente ensurdecedor.
39
descreve ao foi seu raciocínio para identificar o problema com o barulho emitido pelo rádio.
40
o sujeito questiona o que ele estava fazendo apenas pensando e andando de um lado para outro.
41
explica para o sujeito que estava pensando e em seguida troca algumas válvulas de lugar. DEssa forma,   o rádio volta a funcionar sem nenhum ruído.
42
apresenta a declaração que dá nome ao título do capítulo “Ele conserta rádio com o pensamento!” (página 26)
43
explica como os aparelhos de rádios da época (1930) eram simples e fáceis de manusear caso tivesse curiosidade e paciência suficiente. 
44
apresenta a seguinte frase em outro difícil conserto de rádio que estava demorando para concluir:
 “Quando começo um quebra-cabeças, não consigo parar. Se a amiga da minha mão dissesse , eu ficaria furioso, porque eu queria vencer o maldito problema”
 (página 27)
45
comenta que é o impulso dos quebra-cabeças que motiva ele decifrar hieróglifos maias e tentar abrir cofres.
46
comenta que tinha decorado diversas adivinhações esdrúxulas só por divertimento.
47
relata vários casos de adivinhações  que alguém sugeriu mas já era de conhecimento dele por passar horas memorizando essas coisas. 
48
Comenta diversas pessoas o procuravam propondo novas resoluções de problemas, mas que ele já tinha explorado a maioria deles.
49
“a filha tinha apanhado peste bubônica” era resposta de mais um enigma.
50
explica seu sistema de dedução para resolução de enigmas.
51
comenta sobre o concurso de álgebra realizado no colégio.
52
explica como virou líder da equipe do concurso de álgebra e como aprendeu a realizar cálculo  de maneira rápida. (aqui eu faço uma crítica sobre a ideia de genialidade ou a suposta aptidão natural das pessoas para a matemática , tomando como base o texto de Jo Boaler )
53
comenta sobre como inventava problemas para os seus colegas no liceu.
54
explica como realizava deduções matemáticas de trigonometria aos 12 anos e via isso como um passa tempo.
55
conta que tinha uma disputa pessoal entre sua forma de explicar o conteúdo matemático e a forma que o livro explicava. “Por vezes, quando não descobria um modo simples de fazer uma coisa, dava voltas ao miolo até conseguir. Outras vezes, a minha maneira era mais inteligente - a demonstração normalmente utilizada nos livros era mais complicada! Assim, umas vezes era eu que os vencia, outras vezes era ao contrário” ( página 29)
56
Explica como lidava com a matemática apresentada nos livros e de que maneira inventava novos símbolos para uma compreensão mais criativa.
57
Explica como eram os seus símbolos para as funções inversas.
58
Explica como eram os seus símbolos para a notação de derivadas.
59
Relata que achava os seus próprios símbolos muitos bons. Até o dia em que percebeu que teria que utilizar as formas comuns para explicar aos outro de maneira mais objetiva, caso contrário perderia muito tempo pra explicar o seu jeito.
60
Finaliza o texto comentando como também inventou novos símbolos para a programação computacional  em linguagem FORTRAN e consertando máquinas de escrever com clips e elásticos. Conclui que a motivação para a realização de todas essas coisas era o processo de descobrir novas maneiras de solucionar problemas e solucionar os quebras-cabeças que iam aparecendo.  

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO NO DIA DO COMPARTILHAMENTO DOS PODCASTS CRIADOS

1. Como você organizou o seu roteiro? A leitura analítica ajudou?

2. O que você aprendeu com a leitura? Quais aprendizados o seu ator proporcionou?

3. E aí? Quais foram os resultados da atividade como um todo? (Cite 1.Q bom, 1.Q pena, 1.Q tal)


ESPAÇO RESERVADO PARA A VOZ DOS ALUNOS

REFERÊNCIAS

Como ler um texto de filosofia 

(Como ler filosofia) eBook Kindle



FICHA TÉCNICA DA TRILHA SONORA
Ceasefire vs. Deadly Avenger – Evel Knievel
A música de abertura dos quadros e do programa Hermes e Renato continha sample de “Money Runner” de Quincy Jones e grudava na cabeça em instantes. A música foi (e ainda é) o tema clássico do quinteto.
https://crushemhifi.com.br/os-sons-mais-fuderengos-das-trilhas-de-hermes-e-renato/

abertura
Hermes e Renato

artista: Koji Kondo

álbum: The Legend Of Zelda Ocarina Of Time Original Sound Track
ano 1998


análise textual
1) 32-Hyrule Field Morning Theme - sobre a obra e o contexto
2) 01-Title Theme - Biografia do autor e apresentação do livro
3) 06-Kokiri Forest - Motivação para leitura e fichamento

análise temática
1) 43 - Ocarina 'Song of Time'/10 - Shop
2) 01 Prelude der Zeit/82 - End Credits
3) 05 - House / 20 - Kepora Gebora's Theme

problematização
1) 39 - Zora's Domain
2) Hermes e Renato